terça-feira, 29 de março de 2011

36 versos de Fruto Proíbido

Um dia encontrei-te lastimavelmente mal

Sofrias pelas travessuras da vida

que a tornara, infelizmente, infernal.

Sofrias amargamente e recolhida.

Falamos calmamente e pedias um ombro

dei-te o meu para que te pudesses confortar

a pouco e pouco dizias cada assombro

que te apoquentava e, habilmente, te derrubava

Depois caminhamos até às portas de tua casa

por entre conversas profundas fiquei perdido,

tinha decidido não te ter sob a minha asa

mas pediste e eu aceitei porque era um pedido

Caminhamos passo a passo, erguemos o teu ser

não pedi nada em troca se não a tua fiel amizade

e fomos construindo o nosso mundo sem poder,

sem guerras ou concorrência mas com profundidade.


Mas as nossas vidas não são só rosas

temos outras forças muito poderosas

que nos impedem alguns caminhos

por serem de fatais desalinhos...

Desejo-te, como não posso desejar;

Sinto-te, como não posso sentir;

Falo-te, mas não do que devia falar;

minto-te, sem te querer mentir...

O que vou fazer? Bem perguntas

mas resposta não te tenho para dar,

se não que sei que te vou respeitar,

quer em vidas separadas, quer juntas.

Omito esta real realidade para te proteger

não te quero magoar nem ver sofrer.

Conheço todo o teu ser e a todo quero

que este “querer” desapareça é o que espero...


És o fruto proibido que não posso comer

mas ironias do destino quero-te colher...

Com esta simples quadra vou terminar.

Serás a única rapariga que vou desejar!

;Salgueiro Avelar

(escrito em tempo que se despejava o dia-a-dia em folhas de papel)

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